No lugar da Cláudia poderia ter sido Ele

O sofrimento de Cristo não foi maior que o sofrimento de Cláudia Ferreira. Essa foi a fala inspiradora e categórica do teólogo Ronilso Pacheco no último Fórum Social de Igrejas Cristãs, realizado entre os dias 30/04/16 e 01/05/2016 na Igreja Batista Redenção em São Gonçalo/RJ.

Mulher, negra, mãe e trabalhadora, há dois anos Cláudia saiu de casa pela última vez para comprar pão. No caminho foi assassinada por policiais militares, que em seguida arrastaram seu corpo pela cidade do Rio de Janeiro.

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Ronilso explica que a relação da igreja evangélica com a violência é confusa. De um lado divinizou e privatizou o sofrimento de Cristo e de outro alimentou a crença de que a violência pode corrigir e regular práticas sociais e eclesiásticas.

Parece que a igreja fez uma bizarra ligação direta entre as tragédias humanas cotidianas dos espaços urbanos e o texto de Romanos 6:23 que define a morte como salário do pecado. O resultado é uma igreja violenta com o diferente e silenciosa com o que acontece ao seu redor.

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O sofrimento de Cristo foi humano. Ele viveu na condição de pobre e fraco junto com outras pessoas pobres e fracas. Os lugares por onde andava e residia eram regulados e disciplinados pela violência física e psíquica do Império Romano e das sociedades fechadas do farisaísmo. Foi brutalmente crucificado e assassinado por ser quem Ele era e é. No lugar da Cláudia poderia ter sido Ele. E se Ele ressuscitou, foi pra nos dar esperança e ânimo para ser voz contra a injustiça.

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