Jesus, Humanidade e Resistência

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´Parece que todo avanço vem de um retrocesso sobre o que a gente não cuidou, sobre o que a gente destruiu´, disse Gidel Bomfim nosso amigo e teólogo do Caminho. A primeira década desse século foi marcada por uma forte crença nas respostas que a economia poderia nos dar enquanto seres humanos, tanto aqui no Brasil como em outros lugares do mundo.

Nos limites da ampliação do consumo, as pessoas encontraram crises econômicas e ambientais. Perceberam que marcas e produtos não são suficientes para compor suas identidades, sua missão de vida. A economia não é mais o centro. As empresas globais, tendo isso em vista, apelam para uma versão mais humana de seus produtos e serviços. Bancos alugam bicicletas, shoppings criam espaços de convívio, postos de combustíveis plantam árvores etc. Mesmo assim nunca se viu tanta concentração de renda, num planeta tão insustentável.

Qual sinal Jesus nos dá sobre essa conjuntura? Vejamos:

Quando já estava chegando a Páscoa judaica, Jesus subiu a Jerusalém. No pátio do templo viu alguns vendendo bois, ovelhas e pombas, e outros assentados diante de mesas, trocando dinheiro. Então ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas e virou as suas mesas. Aos que vendiam pombas disse: “Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado! “Seus discípulos lembraram-se que está escrito: “O zelo pela tua casa me consumirá”. Então os judeus lhe perguntaram: “Que sinal miraculoso o senhor pode mostrar-nos como prova da sua autoridade para fazer tudo isso? “Jesus lhes respondeu: “Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias”. Os judeus responderam: “Este templo levou quarenta e seis anos para ser edificado, e o senhor vai levantá-lo em três dias? “Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo. (João 2:13-21)

Jesus explodiu em indignação no Templo como sede e símbolo de tudo que era não igualitário, clientelístico e mesmo opressivo nos níveis religiosos e políticos. No caminho inverso, Jesus, em sua resposta contraditória aos judeus, parece falar de destruição do templo entretanto sinaliza resistência de seu próprio corpo. A humanidade inaugurada por Jesus abraça a causa alheia dos oprimidos, incomoda os poderosos e resiste à morte.

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