Ser cristão pra quê?

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“Tudo é dor, mas toda dor vem do desejo de não sentirmos dor” (Renato Russo). Jesus viveu sem um Deus no controle de tudo. Foi condenado em todas as instâncias políticas e religiosas. Teve medo, precisou de companhia e não achou (Mt 26:38). Foi privado de liberdade, torturado e brutalmente assassinado. Seu movimento era contra a ordem estabelecida. Ele assumiu as dores de viver nesse mundo corrupto, desigual e cruel sem abrir mão do desejo de viver, do sonho de tornar conhecido e chegado o Reino de Deus e da utopia da ressureição.

Há onze anos, Dorothy Mae Stang, a Irmã Dorothy, foi morta com seis tiros à queima roupa, um deles na cabeça, sem a mínima chance de defesa, na zona rural do município de Anapu, no oeste do Estado do Pará. Morreu lutando pela regularização da terra para famílias de trabalhadores rurais e combatia a violência e as invasões de grileiros, madeireiros e fazendeiros.

Na contramão dessas histórias, e desconsiderando a complexidade de vida e suas situações aleatórias, o evangelho institucionalizado e hegemônico nos assedia, ofende e diminui. Com códigos de conduta no nível microético, como a abstinência do tabaco ou de um linguajar blasfemo, tenta fazer com que sua doutrina dê conta da vida, propõe um Deus no controle de absolutamente tudo, um Jesus que seda as consciências e um evangelho sobrenatural que escapa as questões sociais que afligem nossas vidas.

Nosso estilo de vida deve resgatar a dimensão desejante de paz, alegria e solidariedade de Jesus Cristo. Nosso exemplo de trabalho e fé precisa se inspirar em pessoas como Irmã Dorothy.

Obs.: Texto inspirado na pregação do nosso amigo e pastor Henrique Vieira.

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